Arquivo para Outubro, 2009

Bioetanol: prefácio do professor José Goldemberg, da USP

Petróleo, gás natural e seus derivados representam 55% do consumo mundial de energia. São esses combustíveis que permitem a existência dos meios de transporte rápidos e eficientes que temos hoje, bem como boa parte das atividades industriais. Lamentavelmente,eles não vão durar mais do que algumas décadas: como combustíveis fósseis, as suas reservas são finitas, a segurança de abastecimento é problemática para os muitos países que os importam e o seu uso é a principal fonte dos gases que estão provocando mudanças climáticas e o aquecimento global.

É preciso, pois, encontrar substitutos para esses combustíveis. Nada mais racional do que produzi-los com base em matéria orgânica renovável (biomassa), da qual, no passado distante, os combustíveis fósseis foram produzidos pela natureza. Uma das opções é o etanol, um excelente substituto para a gasolina, o principal combustível usado
em automóveis no mundo.

No Brasil, o etanol, produzido da cana-de-açúcar, já substitui hoje metade da gasolina que seria consumida e seu custo é competitivo sem os subsídios que viabilizaram o programa no seu início. Isso foi conseguido em cerca de 30 anos a partir da criação do Proálcool, programa lançado no país em meados da década de 1970 para reduzir a dependência da importação de petróleo. Considerações econômicas da indústria do açúcar também pesaram no estabelecimento do programa, porém preocupações de caráter ambiental e social não tiveram um papel significativo na ocasião.

Nos Estados Unidos, grande produtor mundial de etanol com base no milho, o programa é mais recente e suas justificativas são a eliminação de aditivos na gasolina e a redução das emissões de gases que provocam o aquecimento global. Nos países da Europa Ocidental, o etanol produzido do trigo e da beterraba também é usado.
Nesses países, o custo do etanol é duas a quatro vezes mais elevado do que no Brasil e subsídios internos e barreiras alfandegárias protegem as indústrias locais, impedindo a importação de etanol do Brasil.

Isso tem criado resistências de alguns grupos, que associam o etanol (e o biodiesel,produzido em quantidades menores) a um falso dilema, que é o da produção de alimentos versus combustíveis. Esse argumento não se sustenta quando nos damos conta de que a
produção de etanol no mundo, de cerca de 50 bilhões de litros por ano, usa 15 milhões de hectares de área, ou seja, 1% da área em uso pela agricultura no mundo, que é de 1,5 bilhão de hectares.

Argumentam esses grupos também que, na realidade, o uso de etanol não reduz as emissões de gases de efeito estufa, o que é totalmente incorreto no que se refere ao etanol da cana-de-açúcar. Esse é, de fato, praticamente renovável, uma vez que o bagaço da cana supre toda a energia necessária para a fase industrial da produção do etanol. A situação dos Estados Unidos é menos confortável porque a produção do etanol exige o uso de energia que vem quase toda do carvão. Pode-se dizer que o etanol do milho é, na realidade, carvão convertido em etanol, ao passo que no Brasil ele é quase inteiramente de energia solar.

A expansão da cultura da cana-de-açúcar e do milho envolve mudanças no uso do solo, o que pode implicar a emissão de gases de efeito estufa se a expansão resultar em desmatamento, o que não é o caso do Brasil, onde a expansão está ocorrendo sobre
pastagens. De qualquer forma, esse é um problema geral de agricultura em expansão e não um problema da produção de etanol (ou biodiesel). Se há, aqui, um dilema, ele poderia ser denominado de produção de alimentos versus mudanças climáticas.

O que se pode chamar de “solução brasileira para os problemas dos combustíveis fósseis” – o uso do etanol de cana-de-açúcar para substituir a gasolina – não é exclusivo do nosso país e está sendo adotado em outros países produtores de cana-de-açúcar (dos quais existem quase cem no mundo), como Colômbia, Venezuela, Moçambique e ilhas Maurício.

Essas e outras questões são analisadas a fundo neste livro, que descreve as características biológicas da cana-de-açúcar como planta, as técnicas de produção do álcool e os seus co-produtos, como bioeletricidade, apresentando o “estado da arte” do que é chamado de “tecnologias de primeira geração”.

Há, ainda, uma discussão das “tecnologias de segunda geração” para a produção de etanol com base na celulose de quaisquer outros produtos agrícolas (inclusive de cana-de-açúcar), bem como tecnologias de gaseificação de biomassa. A sustentabilidade social e ambiental de produção do etanol é também discutida.

A leitura deste livro certamente dissipará vários mitos que se formaram em torno do grande e promissor programa de etanol no Brasil e sua potencial expansão no mundo.

Veja o endereço do livro: www.bioetanoldecana.org

Retrato do bioetanol

Um retrato do setor de bioetanol no país. Esta é a principal proposta do livro Bioetanol de cana-de-açúcar – Energia para o desenvolvimento sustentável, publicado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Elaborado pelo professor Luiz Augusto Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), o livro está baseado em pesquisas feitas por cerca de 30 especialistas. O principal objetivo do livro é desenvolver um trabalho científico para subsidiar o diálogo internacional visando à construção de um mercado mundial de etanol. O livro está disponível no endereço: www.bioetanoldecana.org.

O livro traça um panorama da produção do etanol de cana-deaçúcar no Brasil e no mundo, além de apresentar o etanol como commodity energética e o Brasil como principal fornecedor de produtos e de soluções para o setor. Os autores levaram em conta a preocupação com a análise das políticas atuais de apoio ao desenvolvimento de biocombustíveis, por meio de uma análise cuidadosa de seus impactos em termos de mudança de uso da terra, padrões de investimento, emissões de gases de efeito estufa, fluxos de comércio e segurança alimentar.

Um retorno às usinas botox

A Synergia Editora lança, no dia 11 de novembro, em São Paulo, o livro Aspectos Regulatórios e Financeiros nos Leilões de Energia Elétrica, escrito por Erik Eduardo Rego. O lançamento acontecerá na Livraria Cultura – Bourbon Shopping Paulista, às 19:30. A livraria fica na rua Turiassú, 2100, Perdizes. capa erik

No livro, o autor analisa a história dos projetos hidrelétricos batizados pelo mercado de botox, da sua origem em 1998 ao desfecho em 2007. Essas usinas faziam parte de um conjunto de projetos antigos cuja energia foi vendida como nova nos leilões promovidos pelo governo. O autor traz, à tona, as duas reformas setoriais, pelas quais passou esse empreendimento energético, cujo estudo ratifica a relevância da energia para o desenvolvimento social deste país.

Fundamentos para um projeto estratégico

Darc Costa, no livro Fundamentos para o Estudo da Estratégia Nacional, publicado pela Editora Paz e Terra, apresenta os fundamentos para a formulação de um projeto estratégico para que o Brasil se torne uma nação desenvolvida, em uma América do Sul igualmente próspera e democrática. Conjugando o conhecimento filosófico, histórico e estratégico do autor, o livro oferece aos leitores um panorama da formação histórica do Brasil, e examina os principais temas do Estado e das relações entre centro e periferia no mundo globalizado. O autor aborda ainda questões centrais para o desenvolvimento, a saber: educação, energia, defesa, integração sulamericana, segurança, entre outros, relacionando-os às questões e desafios do cenário geopolítico mundial.

O autor investiga em detalhes a relação do Brasil com seus vizinhos sul-americanos, acreditando que o processo de integração dos países da América do Sul constitui-se hoje como um dos maiores desafios para um projeto de estratégia nacional bem-sucedido. Acreditando no processo dialético da História, Darc Costa lança mão de exemplos clássicos de países que conseguiram superar o subdesenvolvimento e, numa dinâmica de transformação irreversível, converteram-se em potências econômicas mundiais, erradicando o analfabetismo e a pobreza, e colocando-se na dianteira do progresso tecnológico e social.

Fonte: Editora Paz e Terra

Conteúdo local

A Freitas Bastos Editora promoverá no dia 13 de novembro, no Rio de Janeiro, palestra lançamento do livro Direito do Petróleo: Conteúdo Local, de Luiz Cezar Quintans, professor de Direito do Petróleo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A palestra acontecerá de 14:30 às 17:30, no Windsor Guanabara Palace Hotel. Mais informações pelo telefone (21) 2276-4500 ramais 207 e 209. Ou pelo site www.freitasbastos.com.br/cursos

Carga pesada

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicaram a nova edição da Cartilha de Encargos, que mostra o impacto da tributação sobre a energia. A carga responde, hoje, por 51,6% dos custos médios da energia, de acordo com dados das entidades. Segundo a cartilha, a carga tributária sobre as tarifas de energia elétrica vem aumentando: há seis anos era 11,5 pontos percentuais menor, representando 40,1% dos custos médios. A nova edição da cartilha será lançada nesta quarta-feira, dia 21 de outubro, durante o seminário Energia: Fator de Competitividade para o Brasil, que acontece em Brasília.

Um quadro da relação Amazônia e mudanças climáticas

O livro Governos Locais Amazônicos e as Questões Climáticas Globais foi lançado este mês na Cúpula Amazônica de Governos Locais, que aconteceu em Manaus, no Amazonas. A obra foi elaborada por pesquisadores da região e contém informações sobre a relação intrínseca entra floresta amazônica e as mudanças climáticas globais.

Segundo um dos autores do livro e cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), Niro Higuchi, a obra é acessível, pois apresenta informações básicas sobre a temática para municiar os prefeitos que participarão das discussões. “Queremos colocar os prefeitos da Amazônia como protagonistas desta relação intrínseca”, acrescentou.

No livro é possível conferir que a verdadeira riqueza da Amazônia é a biodiversidade. Higuchi explica que sem floresta grande parte desta riqueza desaparecerá. Por isso, a publicação tenta convencer os prefeitos que os mecanismos de comércio de carbono têm que ser utilizados com um propósito bem definido, que é o combate ao desmatamento para a proteção da floresta em pé.

Entre as ações que podem contribuir com a diminuição dos impactos do desmatamento da Amazônia, Higuchi cita o reflorestamento. Contudo, em curto prazo não é a solução para a neutralização do carbono. “No próprio relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC-AR4), que ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2007, fica claro que a proteção da floresta em pé é melhor do que o reflorestamento como estratégia de diminuição dos impactos das mudanças climáticas”, lembrou.

Sobre a relação entre a floresta amazônica e as questões climáticas globais e o interesse dos governos locais, o cientista deixou claro que é necessário o envolvimento maior no debate. Contudo, ele salienta que não tem certeza se a falta de conhecimento interfere nesse processo. “Tudo acaba acontecendo no município. Então, se os prefeitos se envolverem nesta questão, maiores serão as chances de combater as mudanças climáticas globais”, destacou, acrescentando que as ações executadas nos municípios, aquelas que geram emissões de gases de efeito estufa, são em sua maioria ilegais.

“Creio que isto acontece pela falta de uma efetiva participação das lideranças políticas”. Além de Higuchi, participam do livro os cientistas do Inpa, Joaquim dos Santos, Adriano José Nogueira Lima, Maria Inês Gasparetto Higuchi e Francisco Gasparetto Higuchi, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Henrique dos Santos Pereira, e da Faculdade Integrada de Ensino Superior de Colinas (Fiesc), Ioná Gonçalves Santos Silva Ayres.

A publicação teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), Prefeitura de Manaus, Confederação Nacional de Municípios (CNM) e Associação Amazonense de Municípios (AAM).

Jerson Kelman lança livro sobre os desafios da regulação no Brasil

Depois de oito anos no comando das agências das áreas de recursos hídricos (ANA) e energia elétrica (ANEEL), Jerson Kelman lança Desafios do Regulador (http://www.desafiosdoregulador.com.br). O livro, muito além de resgatar um pouco do dia a dia de um homem público que tem que tomar decisões sobre temas complexos – e que afetam grandes interesses econômicos e milhões de pessoas –, revela o que ainda precisa ser feito para consolidar as agências reguladoras. Com trechos para “degustação” dos capítulos, reportagens e notícias publicadas sobre regulação, currículo do autor, depoimentos e galeria de fotos, o site do livro já pode ser acessado no site do livro.

O livro, publicado pela Synergia Editora em co-edição com o Centro de Estudos Econômicos do Setor Energético (CEE) – uma parceria entre a PSR Consultoria e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) –, está estruturado em seis partes, abordando os seguintes temas: agências reguladoras; confiabilidade no fornecimento de energia elétrica; concessões e autorizações; cálculo tarifário; oportunidades para Parcerias Público-Privadas; e as usinas do Madeira e o Ministério Público. Em Desafios do Regulador, Jerson Kelman consegue, com um texto leve e direto, revelar todo o cenário envolvendo grandes questões que ainda dominam a agenda dos setores de recursos hídricos e energia elétrica.


 

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Julio Santos

É jornalista formado pela Universidade Federal Fluminense. Com 16 anos de experiência, desenvolve trabalhos editoriais para produção de livros, revistas, jornais, boletins informativos, sites na internet e newsletters, além de cuidar da produção de cursos e eventos. Atua há nove anos no setor.

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